
Existe
um filme chamado "Amizade
Colorida", com Justin Timberlake
e Mila Kunis. No longa, Dylan e Jamie
- personagens vividos pelo casal de atores - decidem que são amigos o suficiente
para poderem fazer sexo de vez em quando, acreditando que o"upgrade" na amizade
vai ser algo simples. A partir daí surgem as complicações comuns a um relacionamento
destes, com a lente de aumento que só Hollywood pode colocar.
O
filme levanta uma questão que é relativamente comum no mundo real. "A amizade colorida
não é uma coisa nova. Ela já foi 'moda' nos anos 1980", explica a psiquiatra e sexóloga
Rita Jardim. "Não é um comportamento de jovens ou de velhos,
mas é um tipo de relação que pode acontecer numa fase da vida em que não estamos preparados
para um relacionamento com compromissos
mais constantes", afirma ela.
Quem
prefere as amizades coloridas a um relacionamento monogâmico e fixo, está bem certo do que quer.
"Você sempre acaba conhecendo algumas pessoas com quem gosta de ficar, de
bater papo, mas com quem não rola aquela química mais forte,
com quem valha a pena investir num relacionamento sério", declara Marcela
Teixeira, relações públicas carioca de 31 anos.
Para
a psiquatra, o principal
cuidado que quem prefere ter amizades coloridas deve ter é não se iludir.
"Deve-se ter cuidado para não criar sozinho a expectativa que esse tipo de relacionamento
possa 'virar' um compromisso
mais sério", explica ela. E
a regra parece que vale na prática. Pedro Diniz, produtor de 23 anos, diz que
nunca se envolveu
exclusivamente com nenhuma de suas "amigas". "Vale a
dica, evite ao máximo! brinca ele.
Mas
para Rita, a "fuga" é do compromisso em si, e não do
"amigo". "As pessoas que dizem evitar se relacionar
profundamente com o amigo colorido normalmente fogem porque têm medo de
relacionamento como um todo", explica ela. Para Pedro, a coisa funciona de
forma mais natural. "Ter uma amizade colorida é dar
preferência ao momento, e não ao rótulo", afirma ele,
referindo-se ao "status" de compromisso sério. E o produtor ainda dá
uma aula de como administrar mais de uma "amizade" ao mesmo tempo.
"É
normal que exista algum
nível de ciúmes de ambos os lados. Portanto, para evitar confusões,
você tem que se planejar
com o mínimo de cautela. Sair para algum lugar onde vão estar duas
ou mais das suas 'amigas' é problema certo", ensina ele. Para Marcela,
essa dica é fácil de colocar na prática. "Os 'amigos coloridos' não são
pessoas com quem eu saio direto", explica ela.
Mas
como todo mundo, há um momento de "sossegar" e assumir um compromisso
com alguém. E é nesse momento que os amigos coloridos saem de cena.
"Nesses momentos o amigo colorido fica lá no canto dele, e por eu ser
sempre muito transparente, meus namorados nunca foram de desconfiar de
mim", conta Marcela. "Quando você decide parar um tempo com alguém,
você também está abrindo mão das suas amizades coloridas", diz Pedro.
E
colocar um ponto
final em uma amizade dessas pode ser um pouco complicado, como em
qualquer relacionamento, mas não é impossível. Para o produtor, a conversa é
sempre a melhor maneira de resolver as coisas. "Não vale a pena
sacrificar todo o tempo divertido que vocês passaram com brigas e
discussões", declara ele.
Marcela
afirma que é possível continuar
a amizade, sem o "colorido" extra. "Como é uma relação sem cobranças
e, no geral, sem
expectativas, você não vai correr
o risco de magoar o outro", atesta. Mas a psiquiatra afirma que a fase de
"amizade colorida" é passageira, para todos. "O ser humano é
um ser sociável e precisa de relacionamento", explica ela.

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